Wellington já imaginava o que faria com o dinheiro da herança.
Quando a mãe reclamou de dores no corpo e falta de apetite, já sabia o que era. Foi levada à uma UPA, fez o teste e saiu positivo. Quando chegou à tenda instalada diante da UPA, se impressionou com o número de pessoas que esperavam por atendimento. Rostos conhecidos.
Ia ser difícil escapar. Em cidade pequena ainda.
Lembrou das irmãs que moram longe, não poderiam vir para o enterro caso a mãe morresse.
A mulher que antes corria atrás dele de chinelo na mão agora estava deitada na cama, frágil. A pele enrugada, feita em cubinhos. Manchas escuras por todo o braço. A irmã disse que quando a levou ao médico, perguntou a ele o que eram aquelas manchas. “São os janeiros, minha senhora”, ele disse.
Vaidosa, não aceitava a velhice. O esquecimento só piorou a situação. Se sentia jovem em corpo velho.
Era engraçado pensar no tanto de amor que ele sentia porque alguém que tanto o fez sofrer. Ainda assim não se comparava com o pai. Socos na cara, tapas na orelha, pé no pescoço. Era um demônio. Se estivesse vivo e doente, deixaria que os outros irmãos cuidassem dele.
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