Por anos eu relutei em ler "A Culpa É das Estrelas". Primeiro porque era modinha e segundo porque, num seminário de escola no meu primeiro ano do ensino médio, uma das integrantes do grupo que falou sobre o livro do Jhon Green, uma colega com quem eu conversava bastante e admirava pela inteligência e autenticidade, chamou Hazel de "extremamente egoísta".
"De egoísta só basta eu", pensei na hora.
Há muito tempo, logo depois de comprar meu Kindle lá em meados de 2014 (7x1, protestos), eu enchi o bicho de livro, "The Fault in Our Stars" incluso. Não muito tempo depois, o filme foi lançado eu ouvi as pessoas mais improváveis rasgar elogios pela história e confessarem que tinha chorado. "Esse negócio deve ser bom, hein", pensei. Não li na época do lançamento do filme, mas há algumas semanas decidi entrar no mundo cancerígeno romântico de John Green.
Hazel Grace foi diagnosticada com câncer de tireóide aos 12 anos, sendo depois também diagnosticada com um sério problema nos pulmões que vez ou outra a ataca com sufocantes crises de falta de ar. Daí pra frente a vida de Hazel nunca mais foi a mesma.
Escrito em primeira pessoa, o livro mostra uma grande disparidade entre os pensamentos de Hazel e suas ações. O quase-ódio que a personagen sente pelos pais superprotores, preocupados com sua doença, sai da boca da personagem raras vezes durante todo o livro, os desabafos de Hazel sempre acompanhados de uma culpa esmagadora.
Hazel Grace e Augustus Waters foram feitos um para o outro. Ela, culta, inteligente, engraçada. Ele, capaz de tudo pela pessoa amada, viagem à Amsterdã inclusa no pacote. Os dois se conhecem num grupo para pessoas com câncer e lá mesmo começa a paquera e uma das histórias de amor mais fofas/estranhas/originais que eu já li. Espero que esse parágrafo não seja alguma espécie de spoiler.
Mas nem tudo são flores. Hazel Grace é chata pra cacete, sim. Mal agradecida com os pais que tanto a ajudam, principalmente com a mãe, o que vai te dar vontade de dar uns tapas na cara da moça. Além disso, o romance entre os dois personagens principais, mesmo cheio de dificuldades, parece irreal, até mesmo idealizado.
Mas agora voltando aos pontos fortes do livro, John Green é um mestre no que diz respeito a passar pro papel as felicidades e angústias dos jovens do século XXI. Trazendo um pouco para a nossa linguagem atual, eu diria que o cara manja. É o primeiro livro do John Green que leio, mas pelo que já li sobre o autor sei que seus personagens são, em geral, assim como Hazel, cultos e introvertidos, gente que liga bastante pra concordância verbal.
"A Culpa é das Estrelas" é não só o resultado de uma pesquisa séria feito pelo autor, que visitou hospitais onde crianças se tratavam do câncer, colhendo informações que posteriormente foram usadas nesse sucesso, como também um romance que oferece uma visão sobre o câncer em geral e aqueles que sofrem da doença.